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Durante a campanha eleitoral de 2026 no Brasil, a violência política atingiu patamares alarmantes, tendo as mulheres como principais vítimas no primeiro turno. Um levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global revelou que, dos 134 casos registrados até o último domingo (4), 70 foram direcionados contra candidatas, evidenciando um cenário hostil que ameaça a representatividade feminina no país.
As agressões ganharam visibilidade com as recentes ameaças de morte e violência sexual denunciadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). O caso ilustra uma realidade preocupante: embora representem apenas um terço das candidaturas, as mulheres concentraram mais de 50% dos episódios violentos mapeados durante os 50 dias de campanha oficial.
A subnotificação e o impacto digital
Segundo Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, o ambiente digital tornou-se um terreno fértil para ataques sistemáticos. Ela destaca que a falta de regulação das redes sociais agrava o problema. No entanto, a maioria das ocorrências (71 casos) ainda acontece fisicamente, nas ruas, intimidando a atuação pública feminina.
A especialista alerta para o risco de subnotificação, já que o medo de retaliações impede muitas vítimas de denunciarem. Sem respostas rápidas do Estado, as candidatas sentem-se desprotegidas, o que afeta diretamente a democracia. Barbieri defende punições ágeis com caráter pedagógico para frear essa escalada.
Crescimento dos casos e recortes sociais
Os dados mostram um aumento em relação ao primeiro turno de 2022, quando houve 121 registros. Em 2026, a frequência das agressões foi cinco vezes maior do que nos períodos não eleitorais. A maior parte das ocorrências concentrou-se em disputas federais (40,3%) e estaduais (35,8%). As ameaças lideraram os registros, seguidas por ofensas e agressões físicas.
O recorte social revela que a opressão é multifacetada. Entre os ataques contra mulheres, registraram-se 45 casos de misoginia, nove de racismo e cinco de transfobia. Além disso, pessoas negras representaram 44,8% de todas as vítimas, evidenciando como o preconceito estrutural potencializa a hostilidade no campo político brasileiro.
Até o fim do levantamento, nenhum dos 134 casos resultou em punição efetiva, embora medidas de urgência tenham sido aplicadas em oito episódios. Os estados com maior incidência de conflitos foram São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.