O Recife firmou sua relevância na arquitetura brasileira com a conquista do projeto de revitalização da Praça do Arsenal no prêmio nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O reconhecimento ocorreu durante o 1º Seminário Arquitetura, Cidade e Política, em Porto Alegre (RS), onde o espaço público da capital pernambucana se destacou na categoria Urbanismo, Arquitetura da Paisagem, Planejamento e Cidades.
A praça, um ponto central do Bairro do Recife, foi reaberta em outubro de 2025 após uma completa reformulação que combinou a preservação de seu valor histórico com a incorporação de modernas soluções de acessibilidade. Após ter vencido a disputa estadual no final de 2025, o projeto concorreu com as mais importantes iniciativas urbanísticas do país. A entrega oficial da premiação está agendada para agosto, em Fortaleza (CE), durante o 22º Congresso Brasileiro de Arquitetos.
Resgate histórico: O traço de Burle Marx em evidência
O principal fator que impulsionou o projeto à vitória foi a sua fidelidade ao conceito original idealizado pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx, em 1934. Na época, Burle Marx inovou ao propor um design moderno, afastado dos padrões europeus, marcado por uma estrutura quadriculada de concreto e o uso de vegetação adaptada às condições climáticas e salinas da zona portuária.
Com o passar dos anos, intervenções subsequentes alteraram a configuração original do local. A recente requalificação, elaborada por engenheiros da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), concentrou-se na restauração desse valor paisagístico, introduzindo adequações para o uso contemporâneo:
- Acessibilidade: A substituição da antiga grama por granilite entre as placas de concreto otimizou a movimentação de pessoas com mobilidade reduzida e idosos.
- Mobiliário Térmico: Os novos bancos, feitos de concreto branco, foram tratados para serem hidrorrepelentes e térmicos, assegurando conforto mesmo em dias de sol intenso.
- Paisagismo: Houve a manutenção das palmeiras e oitizeiros originais, com a expansão do canteiro central e a criação de novos taludes com gramado.
Atualmente, a praça atua como um elo entre o passado comercial da área portuária e a vibrante cena cultural do Recife Antigo, servindo como palco para eventos, atraindo turistas e promovendo a convivência diária.