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Segunda-feira, 20 de Abril 2026

Economia

O Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores na economia prateada

O número de pessoas com mais de 60 anos que investem em negócios próprios cresceu quase 60% na última década, impulsionado pelo desejo de manter-se ativo e pelas mudanças demográficas.

Vitória 360 Graus
Por Vitória 360 Graus
O Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores na economia prateada
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Brasil registra atualmente 4,5 milhões de empreendedores integrantes da chamada Economia Prateada, segmento que abrange indivíduos com mais de 60 anos. Esse contingente demonstrou um crescimento expressivo de 58,6% ao longo da última década, conforme dados do Sebrae Nacional. A instituição tem desenvolvido iniciativas específicas para o empreendedorismo sênior, visando oferecer suporte a esse público que busca investir em seus próprios negócios.

Em 2023, o programa do Sebrae atendeu 869 mil pessoas, e a meta estabelecida para 2024 é alcançar a marca de 1 milhão de participantes. Gilvany Isaac, gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+, descreve essa expansão como uma “onda forte”, atribuída à vontade dessa faixa etária de permanecer produtiva e engajada.

“Há uma clara possibilidade de continuidade de carreira e de propósito. Tenho observado que pessoas com 60 anos ou mais se conectam com algo que ressoa com sua experiência de vida, mas que também contribui para a solução de problemas na comunidade”, afirma Gilvany.

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Conexão com a tradição e o local

Gilvany relata que, ao longo da implementação do programa, foi possível identificar uma inclinação desse público para atividades ligadas a saberes ancestrais e vocações regionais. Isso se manifesta em áreas como o artesanato, o cultivo de sementes ou o manejo de ervas medicinais. No Sul do país, por exemplo, ela destaca a produção de peças artesanais a partir de redes de pesca, desenvolvidas por mulheres de comunidades costeiras.

"Percebemos que a geração 60+ demonstra um cuidado especial com o planeta, pois testemunhou muitas transformações. No caminho que estamos percorrendo, notamos essa responsabilidade em integrar, ou seja, em preservar este planeta da forma como o conheceram", comenta Gilvany.

Entre os setores de maior interesse para esse grupo empreender, destacam-se o turismo, o comércio e a prestação de serviços. O Sebrae disponibiliza aos empreendedores mentorias e consultorias, tanto para orientar aqueles que desejam iniciar um negócio quanto para quem pretende abrir uma empresa focada no consumidor com mais de 60 anos. A participação dos idosos nos programas é elevada, e a taxa de desistência, reduzida.

“Eles são extremamente participativos. O Sebrae estrutura todo o projeto de forma a atender às necessidades do empreendedor maduro que busca desfrutar da vida, sem precisar dedicar todo o seu tempo disponível ao empreendimento”, explica.

O apoio oferecido é totalmente gratuito, abrangendo desde o planejamento inicial da jornada empreendedora até cursos e atendimentos individualizados. Além disso, são organizados eventos para fortalecer a rede de empreendedores, incentivando a troca de experiências.

Mudanças no mercado de trabalho e demografia

Paralelamente ao desejo de empreender, o crescimento dos negócios liderados por pessoas com mais de 60 anos está intrinsecamente ligado às transformações demográficas e, consequentemente, ao cenário do mercado de trabalho.

O aumento da expectativa de vida ao nascer – que subiu de 62,6 anos em 1980 para 76,4 anos em 2023 – teve um impacto significativo no mercado de trabalho para a denominada Geração Prateada (aqueles com 60 anos ou mais).

Atualmente, um quinto da população brasileira em idade ativa é composta por esse grupo, conforme revela um estudo da pesquisadora Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Em 2024, as maiores proporções de idosos na População em Idade Ativa (PIA) foram observadas nos estados do Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%). As menores proporções foram registradas em Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%).

“Ao contrário de antigos estereótipos que associavam o envelhecimento à inatividade ou à dependência, a Geração Prateada se caracteriza por um perfil mais saudável, engajado e ativo como consumidor”, ressalta Janaína.

Ela identifica dois perfis principais entre os idosos economicamente ativos: aqueles que trabalham por necessidade de renda e os que permanecem em suas ocupações para manter-se ativos e com vínculos profissionais.

A pesquisadora aponta o etarismo – a discriminação contra pessoas mais velhas – como um dos principais obstáculos para a permanência dos indivíduos com mais de 60 anos no mercado de trabalho. Ela reforça a urgência de combater esse preconceito tanto na sociedade quanto no ambiente corporativo.

“O que ocorre no Brasil é que a população está envelhecendo e não há jovens suficientes para repor essa mão de obra, que também envelhece. Se não contarmos com a força de trabalho 60+, no final das contas, estaremos comprometendo o crescimento econômico do país”, argumenta.

Janaína sugere o empreendedorismo como uma alternativa viável para aqueles que já se aposentaram, mas desejam continuar ativos. Contudo, ela enfatiza a importância de o empreendedor com mais de 60 anos formalizar seu negócio para evitar situações de vulnerabilidade.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
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