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Especialistas em economia avaliam que realizar um corte de gastos públicos substancial no Brasil sem comprometer programas sociais, pensões, aposentadorias e o reajuste do salário mínimo é uma tarefa inviável.
O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, vinculado ao Instituto de Economia da Unicamp, explicou à Agência Brasil que propostas de redução drástica — como os cerca de R$ 200 bilhões debatidos recentemente — fatalmente atingem o setor social.
Conforme o acadêmico, quase 90% do orçamento primário federal consiste em despesas obrigatórias. Isso abrange a Previdência, o BPC, despesas de pessoal, além dos mínimos constitucionais voltados para saúde, educação e o programa Bolsa Família.
O impacto nas despesas discricionárias
O que resta para o governo administrar livremente são as despesas discricionárias. Esse montante soma pouco mais de R$ 200 bilhões e engloba investimentos, além do custeio operacional de universidades federais, hospitais públicos e da Polícia Federal (PF).
Bastos ressalta que zerar essas despesas discricionárias para preservar o setor social seria o único caminho matemático, caso contrário, o corte precisará avançar diretamente sobre os benefícios.
A professora Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília (UnB), reforça a tese ao lembrar que o orçamento público possui um forte efeito multiplicador na geração de renda e empregos.
Debate entre candidatos e planos fiscais
Enquanto o candidato Flávio Bolsonaro propõe ajustes focados em privilégios e combate a fraudes, sua equipe econômica já discutiu metas de ajuste expressivas no Produto Interno Bruto. Por outro lado, aliados de Lula projetam um ajuste fiscal gradual ao longo de anos para equilibrar as contas.
Especialistas pontuam que, independentemente da gestão, o elevado patamar das taxas de juros no país continua exercendo forte pressão sobre a dívida pública, tornando o debate orçamentário ainda mais complexo.