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Durante o primeiro turno das eleições, entre 16 de agosto e 4 de outubro, ataques digitais e hostilidades contra profissionais da imprensa somaram 14.182 ocorrências nas redes sociais X e Instagram, o que representa uma média de 283 casos diários com foco no pleito.
Na reta final da votação, a situação se agravou. A última semana antes do pleito registrou uma média de 327 incidências por dia, sendo que as mulheres representaram 64,8% dos alvos de agressões direcionadas a indivíduos.
As informações constam no relatório divulgado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da UFES e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).
Para a CDJor, o cenário é alarmante. Leticia Kleim, coordenadora jurídica da Abraji, aponta que o intuito das mensagens é descredibilizar e intimidar a atuação profissional na internet.
"O resultado disso afeta não somente as vítimas diretas dos ataques, mas gera um prejuízo coletivo à sociedade", avalia Kleim sobre a tentativa de silenciar a imprensa.
Crescimento das ofensas e termos utilizados
A pesquisa acompanhou 3,7 milhões de conteúdos digitais ao longo de 50 dias, monitorando 652 termos e hashtags pejorativas. Os registros subiram de 2.630 na primeira quinzena para 4,4 mil na segunda, uma alta de 67,3%.
Entre as expressões mais comuns estavam acusações de "fake news", "jornalista militante" e "imprensa golpista", usadas para minar a credibilidade tanto dos veículos quanto dos repórteres.
Violência de gênero
Quando o foco da análise recai sobre profissionais identificados individualmente, as mulheres concentraram a maioria das hostilidades, com 2.013 agressões de um total de 3.106 casos.
Além de questionamentos sobre a cobertura, os registros incluíram insultos sexuais, ataques misóginos e incentivo à violência física.
Impacto na democracia
A disputa presidencial concentrou quase 80% dos ataques com contexto eleitoral identificado. O documento alerta que a intimidação digital gera riscos reais à segurança das equipes e à circulação livre de informações de interesse público.
A Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) congrega onze entidades do setor, incluindo Abraji, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Jeduca e Repórteres sem Fronteiras.