O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou veementemente os ataques conjuntos deflagrados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, ocorridos no sábado, 28 de fevereiro. A chancelaria russa classificou a ação como um "ato de agressão armada premeditado e não provocado contra um Estado soberano e independente membro da ONU".
Em um comunicado divulgado via Telegram, a diplomacia russa acusou Tel Aviv e Washington de usarem as preocupações com o programa nuclear iraniano como pretexto para uma suposta busca por mudança de regime no país persa.
O órgão ministerial alertou que a investida militar poderia desencadear uma "catástrofe humanitária, econômica e possivelmente radiológica" na região. Além disso, responsabilizou os Estados Unidos e Israel por "lançarem o Oriente Médio em um abismo de escalada descontrolada".
Moscou também considerou "inaceitável" o bombardeio de instalações nucleares fiscalizadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e manifestou sua disposição em mediar uma solução pacífica para o conflito.
Ataques
Segundo informações da Reuters, autoridades israelenses indicaram que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian, foram os alvos da ofensiva, embora os resultados da operação permaneçam incertos.
Horas antes, fontes da Reuters haviam reportado que Ali Khamenei não estava em Teerã, sem especificar seu paradeiro. Contudo, a agência estatal iraniana IRNA assegurou que o presidente Masoud Pezeshkian se encontra em segurança.
Agências internacionais relataram que mísseis impactaram regiões próximas ao palácio presidencial e a instalações ligadas ao líder supremo na capital iraniana. A agência estatal Fars noticiou explosões em diversas cidades, como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. O espaço aéreo iraniano foi interditado logo após o início da ofensiva.
De acordo com agências iranianas, 40 estudantes de uma escola feminina no sul do país perderam a vida durante o ataque. O Exército israelense, por sua vez, afirmou ter atingido "centenas de alvos militares iranianos", entre eles, lançadores de mísseis.
Em retaliação, o Irã disparou mísseis e drones em direção a Israel, resultando no acionamento de sirenes de alerta. Explosões foram igualmente registradas em nações vizinhas que hospedam bases militares dos Estados Unidos, como Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
Os Emirados Árabes Unidos, em nota oficial, comunicaram a interceptação de vários mísseis iranianos e confirmaram a morte de uma pessoa em Abu Dhabi. Relatos de testemunhas indicaram também uma explosão em Dubai.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a operação visa neutralizar o programa nuclear iraniano e salvaguardar a população americana de ameaças externas. Militares norte-americanos sugeriram que a ofensiva poderia se prolongar por vários dias, enquanto o Pentágono descreveu a ação como uma "fúria épica".
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Trump afirmou: "Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos".
Trump ainda conclamou a população iraniana a lutar pela derrubada do regime dos aiatolás e exortou os militares a se renderem, sob a ameaça de "enfrentar a morte certa".
A ofensiva ocorreu após semanas de negociações entre Estados Unidos e Irã, que buscavam um acordo para limitar ou encerrar o programa nuclear iraniano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação tem como objetivo "eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã".
Netanyahu complementou que a ação "criará condições para que o povo iraniano tome as responsabilidades do seu destino".