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Entre janeiro de 2022 e junho de 2026, dados do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) registraram 418 mortes decorrentes da letalidade policial no estado, revelando um panorama detalhado sobre as ações de segurança e o perfil dos atingidos.
Perfil das vítimas e estatísticas anuais
De acordo com o Painel de Intervenção Policial do órgão, ao menos 70% das pessoas mortas eram pretas ou pardas, somando 296 vítimas (267 pardas e 29 pretas). O relatório contabilizou ainda 17 pessoas brancas, uma indígena e 47 casos sem informação de cor ou raça.
O levantamento histórico mostra variações no número de mortes ao longo do tempo: 93 casos em 2022, 125 em 2023 (ano de pico), 75 em 2024 e 90 em 2025. Até junho de 2026, foram registrados mais de 35 óbitos, sendo todos de pessoas pretas ou pardas.
Unidades policiais com mais registros
As estatísticas apontam que o Batalhão Especializado de Policiamento no Interior (Bepi) lidera o número de mortes em intervenções, com 47 ocorrências. Na sequência, aparecem o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com 34 registros, e o Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRP), com 21.
Investigações e controle das ações
Das 337 ocorrências mapeadas pelo MPPE no período, 221 foram arquivadas, 70 continuam sob investigação e 46 resultaram em denúncias formais. O promotor de Justiça Francisco Ortêncio de Carvalho destacou que o painel busca ampliar a transparência para a sociedade e acompanhar a dinâmica da atuação policial.
Segundo o promotor, o Ministério Público analisa se cada caso ocorreu dentro do padrão legal de confronto ou se houve simulação. Para representantes de direitos humanos e da OAB-PE, a redução dos índices exige a revisão imediata dos protocolos de atuação da Polícia Militar nas comunidades.