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Sábado, 09 de Maio 2026

Economia

Indústria defende energia nuclear como pilar da soberania nacional

Presidente da Abdan, Celso Cunha, ressalta que a fonte é "limpa, gera energia em um espaço muito pequeno, é altamente eficiente e tecnológica".

Vitória 360 Graus
Por Vitória 360 Graus
Indústria defende energia nuclear como pilar da soberania nacional
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O avanço da energia nuclear é fundamental para o Brasil atingir a autonomia energética e a soberania nacional, em um cenário global que demanda fontes de energia estáveis e onde a geopolítica gera instabilidade nas cadeias de petróleo e gás natural.

Essa perspectiva é compartilhada por especialistas que participaram do Nuclear Summit, um evento focado no desenvolvimento da energia nuclear, realizado na Casa Firjan, centro de inovação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. O encontro foi organizado pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).

O professor de relações internacionais Júlio César Rodriguez, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), argumenta que o Brasil deveria investir na energia nuclear devido à sua escalabilidade, ou seja, à capacidade de expandir a produção.

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“A energia nuclear é uma fonte energética crucial para o Brasil dominar, alcançar autonomia energética e, mais importante, ser tecnologicamente autônomo”, declarou o professor da universidade gaúcha em entrevista à Agência Brasil.

“Ao dominar todo o processo, desde a extração dos minérios, o enriquecimento até o desenvolvimento de reatores, estamos operando em um patamar de desenvolvimento industrial, tecnológico e científico elevado, equiparando-nos aos principais atores globais”, acrescentou.

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Momento oportuno

O presidente da Abdan, Celso Cunha, destaca os "atributos importantes" da energia nuclear. "É limpa, gera energia em um espaço muito pequeno, é altamente eficiente e tecnológica", descreveu.

Segundo Cunha, o contexto ambiental e geopolítico atual, marcado por conflitos internacionais, reforça as vantagens da energia nuclear.

“É extremamente importante que um país seja independente energeticamente. Um país dependente energeticamente não consegue crescer”, afirmou à Agência Brasil.

O presidente da Abdan reconhece a abundância de fontes renováveis no Brasil, como a eólica, solar e hidrelétrica, mas enfatiza a vantagem da energia nuclear em oferecer um fornecimento constante, desvinculado de fatores climáticos como ventos, sol e regimes de chuva.

“É a grande solução”, defende ele, acrescentando a capacidade de exportação de combustível como um benefício adicional. "Podemos gerar muita receita vendendo combustível. Em vez de vender minério in natura, que não agrega valor. Estamos no momento certo, chegou a hora do nuclear”, concluiu.

Embora a indústria a considere uma energia limpa, a fonte nuclear suscita preocupações ambientais relativas aos resíduos gerados, que exigem armazenamento seguro.

No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão estatal, está trabalhando na definição de um local para o armazenamento definitivo das pastilhas de urânio utilizadas.

Ciclo do urânio

A assessora de integridade e gestão de risco da Empresa de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), Mayara Mota, explicou que a empresa, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), busca viabilizar o domínio completo do ciclo do urânio pelo Brasil, o mineral essencial para a energia nuclear.

“Atualmente, a conversão é realizada fora do Brasil. A proposta da usina de conversão é trazer essa infraestrutura para cá. A tecnologia para isso nós possuímos, o que falta é a estrutura”, detalhou.

A conversão consiste na transformação do yellowcake (concentrado de urânio) em hexafluoreto de urânio, uma etapa crucial no ciclo do combustível nuclear que converte um pó sólido em um composto facilitador para o enriquecimento e o transporte.

O ciclo do urânio é um monopólio estatal e restrito a fins pacíficos. A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) opera a única mina do mineral no país, em Caetité, no sudoeste da Bahia, e o enriquecimento ocorre na fábrica de Resende, no sul do Rio de Janeiro.

Usinas em Angra

Atualmente, o Brasil conta com duas usinas nucleares em operação, Angra 1 e Angra 2, localizadas em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro. Juntas, elas possuem uma capacidade de geração de 2 gigawatts (GW), potência suficiente para suprir uma cidade como Belo Horizonte, que tem 2,3 milhões de habitantes.

A construção da usina Angra 3 está suspensa, e o governo avalia a viabilidade de investir na conclusão do projeto, que adicionaria 1,4 GW ao sistema elétrico brasileiro. A obra paralisada gera um custo anual de aproximadamente R$ 1 bilhão para o país.

>> Leia mais: Com construção parada, Angra 3 investe em conservação de equipamentos

Um estudo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) indica que o custo do encerramento definitivo das obras de Angra 3 pode variar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Esse valor pode superar o montante necessário para a conclusão do empreendimento, estimado em R$ 24 bilhões.

A decisão sobre prosseguir ou não com Angra 3 compete ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), colegiado que reúne representantes de diversos ministérios.

Transição energética

A consultora técnica Regina Fernandes, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ressaltou que a energia nuclear ganha destaque no compromisso do país com a transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis mais poluentes, como o petróleo.

“Essas fontes estáveis e limpas têm espaço no planejamento de longo prazo para ocupar um lugar na matriz energética. São fontes que receberão mais incentivos devido à urgência climática”, declarou a técnica da empresa ligada ao MME.

No último dia 10, o governo brasileiro anunciou sua adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear, uma iniciativa que visa mobilizar governos, indústrias e instituições financeiras para expandir a capacidade instalada dessa fonte energética globalmente até 2050.

A iniciativa foi formalizada durante a II Cúpula sobre Energia Nuclear, realizada em Paris.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
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