Nesta quarta-feira (4), no Rio de Janeiro, o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil exibiu os principais avanços tecnológicos integrados à sua frota, visando a atualização dos sistemas de proteção nacional.
O destaque do evento foi a ativação do Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, que conta com quadricópteros munidos de tecnologia eletro-óptica e sensores de calor.
Tais dispositivos são versáteis, servindo para a vigilância de alvos ou para o resgate de feridos. Algumas unidades têm capacidade adicional de transportar armamentos para ofensivas pontuais.
Além disso, a tropa incorporou aeronaves não tripuladas de asa fixa, conhecidas como drones kamikazes, que carregam explosivos para neutralizar estruturas maiores.
Capacitação para o uso de aeronaves remotas
Segundo o almirante Carlos Chagas, comandante-geral da corporação, a criação do novo grupamento coloca o Brasil em sintonia com as tendências globais de defesa, observadas em conflitos internacionais recentes.
O oficial informou que, ainda no decorrer de março, será inaugurada uma unidade de ensino no Rio de Janeiro dedicada exclusivamente ao treinamento de militares na pilotagem desses equipamentos.
Chagas ressaltou a responsabilidade da Marinha na proteção de recursos vitais para o território brasileiro.
"O Brasil tem 7,5 mil quilômetros de litoral e uma abundância de recursos estratégicos. A maior parcela da população e 95% da extração de petróleo estão concentradas na costa, por onde também circulam 97% das exportações", destacou.
"Há ainda um detalhe pouco conhecido: a conectividade do país depende majoritariamente de cabos submarinos internacionais, e não apenas de satélites, o que torna a vigilância marítima essencial", completou.
Atuação em cenários de calamidade pública
A frota foi reforçada com blindados de desembarque costeiro de fabricação nacional. Esses veículos alcançam 74 km/h, comportam 13 tripulantes e possuem radares, câmeras térmicas e metralhadoras.
Por serem modelos compactos, conseguem operar em áreas com infraestrutura precária e podem ser transportados por via aérea com facilidade.
O almirante Carlos Chagas explicou que essas ferramentas ampliam a eficiência dos Fuzileiros Navais em missões humanitárias, uma demanda que tem crescido nos últimos anos.
"Existe uma grande similaridade entre a logística de guerra e a de resposta a desastres. A capacidade de mobilização rápida é um diferencial nessas horas", afirmou o comandante.
Ele pontuou que muitos recursos possuem utilidade híbrida: equipamentos comprados para combate, como veículos anfíbios, são fundamentais para salvar vidas e levar suprimentos a regiões inundadas.
O arsenal também ganhou novos itens, como o Míssil Antinavio Nacional de Superfície. O projétil atinge 1 mil km/h em voo baixo para evitar radares, com alcance de 70 quilômetros.
Outro destaque é um míssil nacional guiado a laser, com precisão elevada e alcance de 3 quilômetros, capaz de destruir blindagens de até 80 centímetros e atingir aeronaves ou barcos.