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Sábado, 09 de Maio 2026

Educação

Educação profissional no Brasil registra alta superior a 68% em cinco anos

O crescimento é resultado da aplicação de políticas públicas voltadas a tornar o ensino médio mais atraente e alinhado às demandas do mercado.

Vitória 360 Graus
Por Vitória 360 Graus
Educação profissional no Brasil registra alta superior a 68% em cinco anos
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O Censo Escolar 2025, levantamento anual conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indica um notável avanço no número de matrículas na educação profissional e tecnológica (EPT). As estatísticas revelam um aumento expressivo de 68,4% ao longo de cinco anos.

Em 2021, o país registrava um total de 1.892.458 matrículas. Em 2025, este número alcançou a marca de 3.187.976 estudantes.

Os resultados preliminares do Censo Escolar 2025 foram divulgados na última quinta-feira (26), em Manaus, pelo Ministério da Educação (MEC) e o Inep.

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Políticas públicas impulsionam o crescimento

O desenvolvimento da educação profissional e tecnológica (EPT) tem se mostrado acelerado, especialmente a partir de 2023.

De acordo com o MEC, essa expansão é um reflexo direto da implementação de iniciativas governamentais que visam aumentar o apelo do ensino médio e sua conexão com as exigências do mercado de trabalho.

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o Programa Juros por Educação, instituído em 2025, tem o potencial de expandir significativamente as vagas em cursos técnicos em todo o território nacional.

Esta iniciativa, que faz parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), tem como objetivo incentivar os estados a investirem na criação de novas oportunidades gratuitas em cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio. Inclui também a modalidade de educação de jovens e adultos (EJA) em cursos técnicos na forma subsequente, além da melhoria da infraestrutura educacional e da formação docente. Até o momento, 22 estados aderiram ao programa.

"A expectativa é de um investimento de R$ 8 bilhões no Propag neste ano, o que permitirá a ampliação de 600 mil vagas no ensino técnico integrado ao ensino médio em 2026", projetou o ministro da Educação, Camilo Santana.

Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, considera a expansão da educação profissional e tecnológica um passo ambicioso que demandará planejamento estratégico e ações coordenadas das redes estaduais de educação para atender ao aumento de vagas com qualidade.

"Trata-se de uma janela de oportunidade sem precedentes no país, com grande potencial para o desenvolvimento social e econômico do Brasil", avaliou Jamra.

Distribuição das matrículas

O censo também detalha a contribuição de cada esfera administrativa (estadual, federal e municipal) na oferta de vagas para a educação profissional e tecnológica.

As redes estaduais de ensino foram responsáveis por 81,7% das matrículas na educação profissional pública em 2025.

A rede federal, que engloba os institutos federais (IF) e unidades de ensino técnico vinculadas a universidades federais, respondeu por 15,4% das matrículas.

A rede municipal apresentou a menor participação, com apenas 2,8% do atendimento.

Modalidades de ensino

Os cursos técnicos podem ser oferecidos de maneira integrada ao ensino médio ou de forma concomitante, para estudantes que estão cursando ou iniciarão essa etapa de ensino. Há também a modalidade subsequente, destinada a alunos que já concluíram o ensino médio.

A oferta pode ocorrer na mesma instituição de ensino ou em locais distintos.

O Censo Escolar 2025 indicou que o modelo de ensino médio integrado ao itinerário formativo técnico profissional liderou com folga, totalizando 1.200.606 matrículas em 2025.

Em seguida, destacaram-se no ano passado:

  • Cursos técnicos subsequentes, com 832.032 alunos, voltados para quem já concluiu o ensino médio e busca especialização.
  • Itinerários formativos articulados (qualificação profissional), que registraram 517.422 matrículas.
  • Ensino médio na modalidade do magistério, com 32.529 matrículas.

Diogo Jamra, do Itaú Educação e Trabalho, celebrou o aumento de 57% nas matrículas da Educação Profissional e Tecnológica integrada ao ensino médio, comparando 2025 com 2024.

“O crescimento foi ainda mais expressivo, de 61,04% na rede pública. Esses números demonstram uma expansão consistente e acelerada da EPT no Brasil”, comentou.

Os cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) integrados à modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) no ensino médio somaram mais de 134,9 mil matrículas em 2025, reforçando a oferta de requalificação para públicos fora da idade escolar regular.

Desempenho dos estados

O Censo Escolar 2025 aponta que a média nacional para a proporção de matrículas em cursos técnicos integrados em relação ao total de matrículas do ensino médio regular na rede pública é de 20,1%.

Fábio Pereira Bravin, coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, comparou o crescimento: “Saímos de uma situação pós-pandemia, onde apenas 10% das matrículas do ensino médio estavam associadas à educação profissional. Em 2025, dobramos o número de matrículas nessa modalidade, atingindo 20,1%.”

O Piauí lidera o ranking nacional de integração entre ensino médio e educação profissional, alcançando a marca histórica de 68,8% de articulação técnica na rede pública, um índice aproximadamente 3,4 vezes superior à média brasileira.

Outros estados que se destacam no topo do ranking são:

  • Paraíba: 34,7%;
  • Acre: 34,1%;
  • Paraná: 32,9%;
  • Espírito Santo: 32,5%.

Na extremidade inferior da tabela, Amazonas (5,2%) e Distrito Federal (6,9%) apresentam os menores índices de integração técnica na rede pública.

Áreas de maior procura

A pesquisa indica uma concentração significativa de matrículas na educação profissional técnica de nível médio em áreas ligadas ao mercado corporativo e à saúde.

Os quatro principais eixos tecnológicos que lideraram as matrículas no país em 2025 foram:

  • Gestão e negócios: Liderou com 28,9% das matrículas, totalizando 534.056 estudantes no ensino público e 177.015 no privado.
  • Ambiente e saúde: Ocupou a segunda posição, com 711.071 matrículas (177.671 públicas e 326.327 privadas).
  • Informação e comunicação: Contou com 424.628 alunos (348.698 na rede pública e 75.930 na privada).
  • Controle e processos industriais: Registrou 292.383 estudantes (159.767 matrículas públicas e 132.616 privadas).

Dentro desses eixos, as carreiras que mais atraem estudantes para a EPT são:

  • Administração (eixo gestão e negócios): O curso mais procurado, com 395.059 alunos, sendo amplamente ofertado pela rede pública (327.924).
  • Enfermagem (eixo ambiente e saúde): Soma 298.699 matrículas, com forte predominância na rede privada (241.455 alunos).
  • Informática (eixo informação e comunicação): Registra 167.134 estudantes, sendo 141.593 matrículas na rede pública.
  • Desenvolvimento de sistemas (eixo informação e comunicação): Com 150.864 matriculados.

Diogo Jamra ressalta a importância crucial dessa etapa escolar para a formação dos jovens brasileiros, servindo como um caminho para a inserção qualificada no mercado de trabalho.

“A educação profissional e tecnológica não marca o fim da trajetória educacional do estudante; pelo contrário, estimula a continuidade dos estudos e, para os interessados, o ingresso no ensino superior”, afirmou.

Sobre o Censo

O Censo Escolar 2025 fornece dados detalhados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos em todas as etapas e modalidades da educação básica. Essas informações são essenciais para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas.

Para consultar os dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, acesse a página eletrônica de resultados do Inep.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
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