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Sexta-feira, 08 de Maio 2026

Economia

Dólar e petróleo disparam após ataque militar ao Irã; entenda os impactos

Os mercados globais reagiram com forte alta nos preços do petróleo e do dólar nesta segunda-feira (2), marcando o primeiro dia útil após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultou na morte de centenas de indivíduos, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e outros altos funcionários.

Vitória 360 Graus
Por Vitória 360 Graus
Dólar e petróleo disparam após ataque militar ao Irã; entenda os impactos
© Valter Campanato/Agência Brasil
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Nesta segunda-feira (2), o mercado global de petróleo registrou um aumento expressivo em seus preços, no primeiro dia útil que sucedeu a operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O ataque resultou na perda de centenas de vidas, entre elas a do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e de outras figuras proeminentes do governo.

Por volta do meio-dia, o contrato futuro do Brent, que serve como referência mundial para o óleo bruto, estava sendo negociado em Londres próximo aos US$ 79 por barril, refletindo um avanço de aproximadamente 7,6%.

Simultaneamente, o petróleo WTI, transacionado em Nova York, alcançava uma cotação superior a US$ 71 por barril, exibindo um salto de cerca de 6%.

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Esses produtos são comercializados ininterruptamente durante os dias úteis, e seus valores flutuam conforme as percepções e expectativas do mercado financeiro.

No cenário nacional, as ações da Petrobras, negociadas na B3 (bolsa de valores de São Paulo), registravam valorização de 3,90%, sendo cotadas a R$ 44,39 pouco antes das 13h.

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Estreito de Ormuz

A valorização do petróleo, segundo a análise de especialistas, é um reflexo da apreensão gerada pela instabilidade no Estreito de Ormuz.

Localizada ao sul do Irã, essa rota marítima conecta os golfos Pérsico e de Omã, sendo crucial para o transporte de aproximadamente 20% da produção global de petróleo e gás.

Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, agência de classificação de risco de crédito, destacou à Agência Brasil que o Estreito de Ormuz representa a via marítima mais importante para escoar o petróleo de grandes produtores como Irã, Arábia Saudita e Iraque.

“Este é o elemento primordial que impulsiona a disparada dos preços do petróleo. O bloqueio do Estreito de Ormuz causaria uma drástica redução na oferta, elevando os preços de forma quase instantânea”, afirmou.

No último sábado, dia em que os ataques iniciais ocorreram, centenas de embarcações foram reportadas como ancoradas, impossibilitadas de cruzar a passagem.

Sartori ressaltou que o barril de Brent atingiu um pico de 13% de alta nesta segunda-feira, ultrapassando os US$ 80. Para o economista, essa valorização “é um sintoma claro da volatilidade dos preços em contextos de conflito”.

Enquanto o conflito persistir e o Estreito de Ormuz permanecer inacessível, Sartori prevê que os valores do petróleo continuarão em patamares elevados, podendo “inclusive aumentar à medida que os estoques disponíveis diminuam”.

Problema logístico

Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, enfatiza que a inquietação mundial não se concentra na capacidade de produção de petróleo, mas sim nos desafios logísticos.

Conforme Oliveira, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) já havia comunicado no domingo (1º) sua intenção de elevar a produção, visando assegurar o abastecimento do combustível.

“A Opep possui uma capacidade produtiva inativa que seria suficiente para compensar a ausência do Irã, caso o país seja excluído da produção global de petróleo”, analisa.

Contudo, o gerente alerta para a complexidade logística do Estreito de Ormuz. “É uma passagem de fato estreita; bastaria pouco para bloqueá-la. Em um cenário de conflito, a situação se agrava imensamente”, comenta o tesoureiro do banco especializado em crédito, investimentos e câmbio.

Para Oliveira, a paralisação do fluxo naval resultaria em um “caos” generalizado em todas as cadeias de produção. Em sua perspectiva, mesmo como exportador de petróleo, o Brasil sentiria os impactos ao importar derivados do óleo bruto, que chegariam ao país com preços majorados.

Inflação

Rodolpho Sartori, economista, indica que, se o conflito se prolongar, a elevação do preço do petróleo poderá resultar na transferência desses custos para o consumidor final, o que geraria um “repique inflacionário”.

Otávio Oliveira, do Banco Daycoval, considera a possibilidade de que o conflito leve a uma redução na intensidade dos cortes de juros no Brasil.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central havia previamente comunicado sua intenção de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, durante a reunião de março.

“Existe a chance de que a redução dos juros seja mais contida. Talvez não um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.), mas sim de 0,25 p.p.”, observa.

Com a Selic atualmente fixada em 15% ao ano, uma taxa menor tende a estimular a atividade econômica e a criação de postos de trabalho.

Dólar

O dólar igualmente registrou valorização nesta segunda-feira, quebrando uma sequência de quedas observadas nas semanas anteriores, período em que havia alcançado seu patamar mais baixo em 21 meses.

Por volta do meio-dia, a moeda norte-americana estava cotada próximo a R$ 5,20, representando uma valorização de cerca de 1%.

Otávio Oliveira, do Daycoval, esclarece que, inicialmente, observa-se um fenômeno conhecido como fuga de risco, no qual investidores transferem capital de nações emergentes, vistas como investimentos de maior risco, para economias mais estáveis e desenvolvidas.

“Isso implica na venda do real e na aquisição de outros ativos, como o próprio dólar, que ganha força mundialmente, e outras divisas procuradas em momentos de incerteza, como o iene japonês”, detalha.

A intensa procura por uma moeda resulta na sua valorização, enquanto uma forte oferta de venda provoca o efeito oposto, desvalorizando-a.

Rodolpho Sartori, da Austin Rating, descreve o panorama do dólar como complexo. “Historicamente, incertezas globais fortaleciam o dólar, mas parece que estamos presenciando uma alteração de paradigma”, comenta.

Ele pondera que a conjuntura geopolítica associada à administração do presidente Donald Trump gera incertezas que “têm exercido pressão negativa sobre a própria moeda americana”.

“É plausível que o dólar apresente uma recuperação inicial nos primeiros dias deste conflito, contudo, o cenário de valorização abrupta da moeda americana em razão de conflitos, como visto no passado, parece ter mudado. Minha projeção é que a moeda norte-americana permaneça oscilando entre R$ 5,20 e R$ 5,25”, avalia Sartori.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Agência Brasil
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